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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Westworld: o fascinante episódio Les Écorchés eleva o nível da série

É disso que estou falando! O episódio de Westworld da semana passada, Les Écórches, entra para o rol dos melhores da série e certamente o melhor da temporada! Depois de pisar no freio, a série provou que é um dos melhores dramas em exibição e que tem o potencial de se tornar uma das grandes dessa década. Muitos acham esta série confusa, mas não se enganem: ela quer confundir a cabeça do espectador, para depois rearranjar as peças de forma brilhante como fez no primeiro ano.

Se em 2016 o grande paradigma era temporal, desta vez a dúvida maior está ligada à lealdade, graças ao personagem de Jeffrey Wright, que se tornou a peça central da série: a quem Bernard é fiel? Ao recém-surgido Dr. Ford que domina a matrix do sistema da Delos? A Dolores e os rebeldes? A si mesmo? Não sabemos se ele é um peão em todo esse jogo, se um espião duplo, triplo ou o arquiteto de algo maior que está por vir.

Repleto de ação e violência, Les Écórches (que significa aqueles desenhos/esquetes médicas de humanos sem pele – vis-à-vis os Anfitriões Drone) foi um episódio emblemático para a série justamente porque significou o fim da “imortalidade” dos robôs com a destruição do backup de suas personalidades, o que Dolores precisamente categorizou como uma espécie de “libertação”.

Agora os riscos são verdadeiramente reais para ambos os lados, o que torna a série ousada em trazer tamanha reviravolta tão cedo, ainda que isso possa ser facilmente subvertido no futuro. Me parece que o casal de showrunners Lisa Joy e Jonathan Nolan constantemente gostam de desafiar o público, mas também eles mesmos como realizadores, o que acaba impulsionando a série sempre pra frente em direções que não podemos mais antever.

Westworld também respondeu perguntas nucleares de sua trama, ao finalmente revelar a verdadeira intenção por trás dos parques: “É sobre os visitantes, não os anfitriões”. Como eu sugeri no começo da temporada, a Delos está atrás dos dados enriquecidos das experiências dos poderosos visitantes, pois na era digital, a informação tem muito mais poder de influência do que armas.

Como diz Ford, a mente humana é a última “fronteira analógica” para ser hackeada e agora com as cartas na mesa, esse jogo ficou ainda mais interessante, mórbido e fascinante. Esta é a diferença essencial desta série para outras que se aventuram em narrativas mais complexas: os roteiristas fazem da confusão e do caos um elemento positivo quando bem empregado. A recompensa tarda, ainda mais depois de tantos diálogos em “código”, mas não falha vem para surpreender ou subverter expectativas.

Que venha essa reta final da 2ª temporada e o confronto Além-Vale!

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