FOTO: PARAMOUNT PICTURES

Por: Bruno Carvalho

Crítica | Missão: Impossível – Efeito Fallout é um dos melhores filmes de ação já produzidos

[sem spoilers] É raro nos depararmos com uma franquia de filmes tão longeva e, ao mesmo tempo, tão bem-sucedida quanto Missão: Impossível. Baseada na série de TV homônima de 1966, sua premissa se manteve a mesma e tem sistematicamente a mesma fórmula em todos os longas dirigidos por nomes que vão de Brian de Palma a J.J. Abrams (atualmente produtor): Ethan Hunt, membro da organização antiterrorista independente IMF, recebe uma missão e deve executá-la a qualquer custo e com uma equipe reduzida.

Neste excelente Efeito Fallout, Christopher McQuarrie – que pela primeira vez nesta saga repete a função de diretor – consegue o feito de atualizar a franquia trazendo frescor a este sexto volume, ao mesmo tempo em que mantém sua essência. Isso enquanto comanda um dos melhores exemplares do gênero ação de todos os tempos, sem nenhum exagero. Aqui a ameaça da vez é o roubo de três núcleos de plutônio que podem produzir bombas capazes de causar danos irreparáveis onde detonadas – e é claro que elas caem nas mãos de pessoas capazes para tanto.

FOTO: PARAMOUNT PICTURES

Guiado quase que exclusivamente pela ação desenfreada, Efeito Fallout se destaca dos demais exemplares pela quantidade de cenas perigosas (a maioria filmada sem o grande uso de efeitos visuais, tanto que Cruise quebrou o tornozelo quando as executava) que são organicamente exigidas pelo conciso e competente roteiro, que também é de McQuarrie. Ainda que eventualmente o filme ceda a concessões usuais do gênero, como o uso de diálogos expositivos, o roteirista e diretor o faz de forma consciente e somente quando inevitavelmente necessário para imprimir dinamismo ao filme.

Este Missão: Impossível é o maior de toda a franquia (2h27 minutos de duração) e o que “passa” mais rápido. Tom Cruise, como de costume, se entrega totalmente ao papel e esbanja carisma e naturalidade no personagem que vive desde 1996, ao passo que Henry Cavill (e seu inseparável bigode) na pele de Augustus Walker cria uma figura com motivações imprecisas (num primeiro momento) que constantemente eleva o já alto nível de tensão do filme.

FOTO: PARAMOUNT PICTURES

Mas o grande destaque deste exemplar, pra mim, é a personagem de Rebecca Ferguson, que retorna como Isla Faust após o também ótimo Nação Secreta. Forte e tão implacável quanto Hunt, ela desempenha diferentes funções ao longo da projeção, ela rouba a cena em todas as suas aparições, mesmo relegada à posição de coadjuvante (e ela tem total condições de co-protagonizar com Cruise os próximos títulos, sem dúvidas). Simon Pegg, Angela Basset, Alec Baldwin e Vingh Rhames também se sobressaem sempre que em tela, assim como é uma bela surpresa ver Vanessa Kirby (The Crown) como uma vilã complexa e nada caricatural.

Repleto de reviravoltas interessantes e muito bem construídas, com ótimas doses humor e, claro, cenas de ação executadas à perfeição em várias locações ao redor do mundo (aquelas em Paris, Londres e uma perseguição de helicóptero na Caxemira são espetaculares), Missão: Impossível – Efeito Fallout é um dos mais imperdíveis filmes de 2018 até agora.


ss