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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Sharp Objects instiga e promete ser uma minissérie imperdível

Estreia hoje  (08/07) às 22h na HBO a minissérie Sharp Objects, composta por oito episódios e baseada no best-seller homônimo de Gillian Flynn (no Brasil, Objetos Cortantes). Nessa história conhecemos Camille Preaker (Amy Adams), uma repórter de St. Louis que retorna à sua cidade natal no interior do Missouri à pedido do chefe para cobrir o desaparecimento e provável homicídio de duas jovens.

A HBO exibiu para a imprensa os dois primeiros capítulos da minissérie dirigida por Jean Marc Vallée (Big Little Lies), que se mostra, desde as primeiras cenas, a pessoa ideal para comandar este projeto. Isso porque, tal qual a minissérie de 2017 estrelada por Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailane Woodley, esta Sharp Objects possui um grande e aparente mistério a ser resolvido (não necessariamente quem é autor dos crimes) e uma estrutura narrativa não-convencional.

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Não que Sharp Objects seja uma espécie de Westworld com múltiplas linhas temporais embaralhadas – não é -, mas aqui Vallée novamente traz à tela os cortes secos com raccords (transições de tela) inspiradas e inova em relação à antecessora com um interessante (e constante) recurso, trazendo os flashbacks para ocuparem o mesmo espaço no presente, evidenciando que algumas memórias de Camille são muito fortes para ficarem enterradas.

Isso ocorre porque o passado de Camille, pelo que pude perceber nos dois primeiros episódios, é tão intrincado e complexo como os crimes que ela vai investigar na pequena e pacata cidade de Wind Gap. Alcoólatra, inconsequente e desgarrada de tudo após uma tragédia que matou sua irmã menor quando jovem, a repórter claramente não quer estar ali para reviver tudo e sua presença invariavelmente mexe com o ecossistema da cidade, especialmente no da casa que cresceu com sua controladora e peculiar mãe Adora (Patricia Clarkson).

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A atmosfera de mistério e tensão criada – ainda que não saibamos direito o que está acontecendo – está presente o tempo todo (em alguns momentos me lembrou aos da primeira temporada de True Detective), e as peças do quebra-cabeças que Vallée monta parecer que vão ficando mais claras à medida em que os flashbacks de Camille indicam que existem mais similaridades sobre o caso que Camille reporta com seu passado do que nós (e até ela) desconheciam (suposição minha), já que ela é constantemente afetada por certas situações (eu não li o livro).

Por esses dois primeiros capítulos – que irão ao ar todos os domingos às 22h na HBO e HBO GO – posso cravar sem ressalvas que Sharp Objects será uma das grandes minisséries (e potenciais séries) de 2018 e uma fonte farta de prêmios na próxima temporada. Depois de algumas falhas (como Sucession), a HBO volta a mostrar sua força no segmento de TV premium (e imperdível).

Voltarei a falar da série quando todos os episódios forem exibidos.

ss