FOTO: SHOWTIME

Por: Bruno Carvalho

Crítica | Who is America? expõe o lado mais repulsivo dos EUA de Trump

Sempre que ele está sumido, pode ter certeza: Sacha Baron Cohen (Borat) está aprontando alguma. Nem sempre certeiro, mas constantemente disruptivo e arrojado, o ator e comediante retorna com uma série no canal norte-americano Showtime onde busca expor os maiores absurdos da ~América~  de Donald Trump.

Se antes Cohen já havia iniciado algumas das discussões sobre preconceito, estereótipos e outras mazelas da chamada middle america com o personagem Borat, do Da Ali G Show da HBO, e que depois ganhou um divertido longa, ele agora retorna interpretando personagens inéditos (afinal, os anteriores já são conhecidos) e mergulha fundo na política norte-americana criticando o avanço da chamada alt-right, a direita ultraconservadora pró-armamento e xenofóbica.

Apesar de utilizar métodos controversos, como criar entrevistas falsas para atrair grandes personalidades políticas (os alvos da temporada incluem o ex-vice presidente dos EUA Dick Chenney, a governadora do Alaska e ex-candidata à presidência Sarah Palin e vários senadores do alto escalão), Cohen deixa aqui que o resultado “fale” por si só.

Com Who is America? ele prova que, uma vez microfonado, o entrevistado da vez é capaz de falar qualquer coisa no palanque é dado, como fica evidente no terceiro segmento do programa de estreia onde congressistas entusiastas de armas chegam ao cúmulo de defender um projeto de lei que autorizaria TREINAR CRIANÇAS DE 3 ANOS NO USO DE ARMAS AUTOMÁTICAS. Sim, não é brincadeira.

Ainda que de gosto questionável (como o ex-detento artista), os personagens de Cohen como o israelense Erran Morad nada mais são que um veículo para ampliar o discurso de ódio, intolerância, misoginia, preconceito e ignorância de seus entrevistados, colocando um holofote no que há de mais repulsivo no ser humano. Who is America? é uma série que certamente não passará incólume ao escrutínio e a críticas (especialmente daqueles que se viram “vítimas” das armações do comediante), mas que ilumina algo muito mais perigoso e vil do que suas próprias pegadinhas.

ss