FOTO: HBO

Por: Bruno Carvalho

Sharp Objects é uma minissérie bela em que nada acontece

[Texto sem spoilers, pois nem tem spoiler pra contar; sobre o episódio 1×06: Cherry e a série até aqui] Sejamos sinceros: a HBO tem um crédito enorme com a gente, pois constantemente entrega produtos com qualidade premium na TV que superam expectativas e deixam sua marca na cultura popular. Mas Sharp Objects, até o momento, apenas se beneficia desse crédito e de nossa boa vontade por ela ser assinada por Jean-Marc Vallée (Big Little Lies) e ser estrelada por Amy Adams. Desde o seu excelente e promissor episódio piloto, nada mais de relevante aconteceu nos capítulos seguintes. Apenas o mesmo aconteceu.

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Cada episódio segue basicamente o mesmo padrão: Camille vaga pela cidade enquanto escreve artigos sobre os terríveis crimes que aconteceram na cidade, sua mãe a despreza, os policiais encarregados não avançam me nada, o editor liga pra saber como tudo está e a Amma apronta e Alan ouve música. Enquanto isso personagens secundários alternam momentos que sugestionam que há algo ali e cortes rápidos indicam o passado terrível de Camille e da cidade de Wind Gap. Ah, e Elizabeth Perkins é desperdiçada como uma figurante de luxo.

É isso.

Estamos a três capítulos do final da minissérie de oito e o episódio Cherry exibido hoje, o sexto, foi o único que trouxe uma “prova material” para o caso e que sequer foi desenvolvida. O mesmo pode ser dito sobre a jornada de Camille, que está estagnada. Tudo isso pode ser justificado, claro. Tentaram transformar um curto livro em uma série em vez de fazerem um filme. Estamos sendo enrolados e as sequências com imagens bonitas, fotografia dessaturada e raccords elegantes não são o suficientes para manter nossa atenção sem nos questionarmos o motivo de tudo isso.

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Assim, já é certo dizer que Sharp Objects deixará suas inevitáveis reviravoltas para os capítulos finais, o que é ruim para a série. Big Little Lies, produção similar e também baseada em um livro, soube utilizar seu tempo em tela para discutir diversos temas relevantes e desenvolver personagens interessantes caminhando para o seu payoff. Aqui estão todos estagnados. As personagens e nós, o público. Não duvido que a minissérie termine bem, mas até lá está um saco parar em frente a TV todo domingo para ver um produto bem inferior do que aquele que a HBO costuma exibir no horário, ainda que embrulhado em um lindo papel de presente.

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