FOTO: UNIVERSAL PICTURES

Por: Bruno Carvalho

A grandiosa e intimista jornada de O Primeiro Homem

Daniel Chazelle é um diretor que já se mostrou arrojado e agora encara um desafio notável: contar uma história conhecida e já abordada de diversas maneiras na TV e no Cinema e trazer algo de novo. Pois em O Primeiro Homem, o diretor consegue não apenas de recontar o feito mais assistido e notório da humanidade, como o faz por um ângulo totalmente inusitado: um drama familiar.

O longa que estreia hoje nos cinemas não busca documentar o que já sabemos e vimos. Através de excertos do livro de James R. Hansen adaptados pelo competente roteirista Josh Singer (FringeSpotlight), Chazelle costura a narrativa pelos olhos frios do primeiro homem a pisar na Lua, Neil Armstrong (vivido pelo competente Ryan Gosling), um sujeito amargurado e contido por conta do falecimento de sua primeira filha, ainda criança.

Temos ainda a grande surpresa deste trabalho, Claire Foy (The Crown), na difícil tarefa de interpretar a relegada esposa de Armstrong enquanto a atriz transforma esta numa figura imponente e importante para esta história, pois é ela que ajuda o espectador a enxergar, pela primeira vez, as diversas falhas do sujeito e expor o homem falho e imperfeito (como todos nós) atrás do herói mundial.

Estruturado em capítulos crescentes que acompanham a evolução do projeto Gemini até chegar no projeto Apollo, que levaria Neil Armstrong e Buzz Aldrin ao solo lunar, O Primeiro Homem prefere ser conduzido através do estudo destas personagens enquanto a corrida espacial se torna uma espécie de coadjuvante, como os planos quase sempre fechados de Chazelle demonstra.

Assim,  em termos “espaciais” este filme se aproxima mais de Contato do que de Gravidade, já que usa a temática para contar uma história de redenção e redescoberta. Ainda assim, este é um longa que merece ser visto no cinema, seja por conta do apuro técnico das sequências espaciais e de ação, como também por conta do design de som impecável – incluindo aí os angustiantes e tensos momentos de silêncio quando o destino é finalmente alcançado (quem tiver a oportunidade de ver em uma tela IMAX, será duplamente presenteado, pois o filme ganha outro aspecto somente nesta sequência).

O Primeiro Homem é uma excepcional releitura de uma história clássica, sim, mas seu maior mérito é justamente o de jamais romantizar o feito, incluindo as precisas críticas ao que isso custou, tanto em capital financeiro como, principalmente, em recursos humanos que foram perdidos. É uma bela viagem.

ss