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Por: Allan Verissimo

Já assistimos! 3ª temporada traz Demolidor mais angustiado e violento

[crítica sem spoilers] O Demônio de Hell’s Kitchen está de volta, mais angustiado e violento do que nunca. A 3ª temporada de Demolidor estreia nesta sexta, 19 de outubro, na Netflix. Situada após os eventos de Os Defensores, encontramos Matt Murdock (Charlie Cox) escondido da civilização, se restabelecendo das suas feridas físicas e psicológicas (seus poderes estão afetados e longe da perfeição) no antigo orfanato cristão onde passou sua infância, e sofrendo de uma crise de fé após as mortes de Elektra e Stick. Mas Matt não tem muito tempo para reconsiderar o seu futuro quando ele descobre que seu arqui-inimigo, Wilson Fisk, o Rei do Crime (Vincent D’Onofrio), fez um acordo com o FBI para conseguir sua liberdade.

A terceira temporada de Demolidor, comandada pelo novo showrunner Erik Oleson (roteirista e produtor da sofrível terceira temporada de Arrow) adapta vários elementos da clássica história A Queda de Murdock (embora não seja de maneira alguma uma adaptação 100% fiel, o que é uma pena, considerando que a HQ de Frank Miller é uma obra-prima), e ganha um bem-vindo respiro de novidade agora que Justiceiro ganhou sua série solo e a trama de Elektra e do Tentáculo chegou à sua conclusão (pelo menos por enquanto…) Boa parte dos primeiros episódios é gasta na recuperação de Matt e seu novo estado emocional: considerado morto para o resto do mundo, ele está no fundo do poço, abandonando qualquer vestígio da fachada agradável e de bom moço que demonstrou no passado, chegando até a ficar antipático em alguns momentos (o que é intencional dos roteiristas). O único momento em que ele volta a se sentir realmente vivo é quando abandona a persona civil e se torna novamente o Demolidor: sem isso, ele não sabe o que é.

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Enquanto isso, D’Onofrio retorna ao elenco fixo após uma curta participação especial no segundo ano, uma mudança muito bem-vinda (um dos poucos defeitos daquela temporada foi a ausência de um antagonista imponente), mais uma vez provando ser um dos melhores vilões da Marvel/Netflix (perdendo apenas para o Killgrave, de Jessica Jones). Essa versão do Rei do Crime está mais vulnerável e em alguns até questionamos sua sinceridade, o que apenas faz os seus momentos de violência e crueldade muito mais brutais. E por falar em vilões, um dos mais icônicos da mitologia do Demolidor, o Mercenário (Wilson Bethel) é finalmente introduzido, ainda em sua identidade civil, com a temporada devotando uma parte considerável do tempo na sua origem.

Contando com as mesmas sequências de ação excepcionais com as quais a série já nos acostumou (com direito a tradicional luta num corredor gravado em um maravilhoso plano-sequência de 11 minutos), Demolidor infelizmente retorna com os mesmos problemas tradicionais das produções da Marvel/Netflix (Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e O Justiceiro): os eventos da metade inicial da temporada poderiam ser perfeitamente resumidos em menos capítulos nas mãos de um realizador mais competente (as cenas de Matt no orfanato, em especial, se arrastam demais). Deborah Ann Woll (True Blood) e Elden Henson continuam sendo competentes como Karen Page e Foggy Nelson, mas os roteiristas claramente não sabem mais o que fazer com eles.Suas subtramas não acrescentam nada de interessante para a trama principal do confronto entre Matt e Fisk, e parecem estar ali apenas para ter material o suficiente para os 13 episódios (o mesmo pode ser dito sobre a trama do agente do FBI, Rahul “Ray” Nadeem, que ainda não disse a que veio).

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Ao menos, a maioria dos episódios têm entre 48 e 52 minutos, o que é um avanço comparado com vários episódios de Jessica Jones e Luke Cage que chegam a alcançar irritantes 60 minutos. Também não posso deixar de esboçar a minha insatisfação com as várias cenas de Fisk olhando para uma parede, em um simbolismo que já está batido demais.

Ainda assim, apesar de um início arrastado, a terceira temporada de Demolidor melhora muito após o terceiro episódio, quando Matt deixa o orfanato e a trama finalmente começa. Por enquanto, já pode ser considerada a melhor temporada da Marvel/Netflix em 2018 (embora a competição não tenha sido muito difícil…). Vamos apenas torcer para que a segunda metade da temporada mantenha o bom nível.

ss