FOTO: UNIVERSAL PICTURES

Por: Allan Verissimo

Crítica | Halloween ignora o passado para focar no promissor futuro

E eis que finalmente chega aos cinemas o 11º Halloween, bem no aniversário de 40 anos da franquia. Esse novo filme tem a proposta de ignorar todos as continuações e retomar a história logo após o clássico de 78. Isso já havia ocorrido antes: o sétimo exemplar, Halloween H20, ignorava completamente os eventos das partes 4, 5 e 6 e era uma continuação direta de Halloween 2, já que Halloween 3 foi uma tentativa de transformar a franquia numa antologia sem conexão com Michael Myers.

A diferença é que dessa vez, por ignorar Halloween 2, este longa passa a borracha na ideia mais polêmica e que até então era tratada como cânone: a protagonista Laurie Strode ser irmã de Michael Myers. Assim, ele volta a ser um assassino misterioso, sem qualquer explicação lógica para os seus crimes aleatórios.

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A grande qualidade deste novo Hallooween é que, ao contrário das continuações e dos remakes que povoam as telas de Hollywood hoje, ele não tenta reinventar a roda. A trama é resumida em apenas uma frase: “40 anos depois dos trágicos eventos do Halloween original, Michael Myers volta a escapar do sanatório e ataca Haddonfield, sendo confrontado pela vítima sobrevivente, Laurie Strode.” O diretor David Gordon Green (Segurando as Pontas) e os seus dois co-roteiristas fazem um exemplar da franquia seguindo a linha clássica dos slasher films, preocupado com a atmosfera de suspense psicológico (o exato oposto dos Halloweens do Rob Zombie).

Há momentos excelentes, como o plano-sequência de Michael entrando em várias casas aleatórias e matando os moradores, e a cena na qual Laurie tenta encontrar Michael num quarto repleto de manequins (o que lembra um belo filme noir de Stanley Kubrick, A Morte Passou Por Perto). Infelizmente, o fato do filme não querer reinventar a roda também pode ser um problema: não há quase nada de novo em relação ao original, porém cumprindo bem a tarefa de reapresentar a franquia para uma nova geração, além de celebrar o que foi icônico em toda a série. Algumas boas ideias também são desperdiçadas (como a dupla de jornalistas que está gravando um podcast sobre Michael e que mereciam mais destaque na trama), e o roteiro perde força toda vez que foca no núcleo aborrecido dos adolescentes.

Apesar das minhas continuações favoritas continuarem a ser as partes 2 e 4, esse novo Halloween é um bom exemplar, ainda mais para uma franquia que, quando esteve no fundo do poço, chegou a apelar para seitas druidas, reality shows e fantasmas. Com o sucesso estrondoso de bilheteria, um 12º Halloween é inevitável e este “reboot” pode finalmente corrigir alguns erros do passado, especialmente com o gênero em alta em Hollywood.

Como todo serial killer do cinema, uma boa franquia nunca morre…


ss