FOTO: GLOBOPLAY

Por: Bruno Carvalho

Globoplay anuncia aquisição de conteúdo “sem precedentes” para 2019

No final do ano passado estive com os executivos do Globoplay (sim, o certo é “o” Globoplay, disseram): João Mesquita (Diretor-geral), Tiago Lessa (Gerente de Marketing), Bianca Serra (Head de Conteúdo), Marcelo Souza (Diretor de Produtos de Vídeo da Globo.com) e Thiago Verly (Gerente de Produtos). De início todos comentaram que nos anos recentes vimos um crescimento enorme de plataformas de streaming (SVOD) no Brasil e no mundo e as mudanças elencadas já começaram a ser vistas na plataforma da Globo. A empresa se organiza para preparar o que eles entendem como uma oferta “única” no mercado de filmes e séries no Brasil. Sem citar concorrentes, a ideia geral que ficou clara na conversa é que eles vão bater de frente com grandes players (em especial a Netflix).

O Início

Inicialmente, Mesquita pontuou que o Globoplay era simplesmente “uma operação de catch-up” do conteúdo veiculado pela Globo na televisão linear, mas rapidamente o projeto ganhou uma dimensão maior graças ao já mencionado crescimento do formato de assinaturas e disponibilização de conteúdo no formato DTC (direct-to-customer, ou “direto ao consumidor”), sem intermediários como operadores de TV paga.

FOTO: BBC AMERICA

Por isso, as mudanças na plataforma que vimos em 2018, nas palavras de Mesquita, foram para “criar uma plataforma nova e pensar em um produto que sirva às duas funções, de forma complementar” – o catch-up da programação da Globo aliado a novos conteúdos originais e de terceiros. Foi daí que vieram as aquisições de séries como The Good Doctor, Killing Eve, A Million Little Things, Dawson’s Creek, Charmed (disponíveis exclusivamente no serviço) e a produção de conteúdo próprio como Ilha de Ferro (também exclusiva do serviço).

“O produto definitivo será muito maior. O Globoplay tem condições de juntar vantagens competitivas numa marca forte e reconhecida. Não há conteúdo com maior presença nos lares brasileiros hoje do que o da Globo.”

Tiago Lessa, Gerente de Marketing do Globoplay

O Assinante no Controle da Globo

O que os executivos chamam de “novo Globoplay” é o que a plataforma hoje já apresenta em escala menor, possibilitando ao espectador “montar” sua própria programação, seja com material da grade da Globo, seja com produtos exclusivos que eles estão trazendo”. Pra isso a empresa afirmou que fez um grande investimento em tecnologia pra poder competir de frente com os players internacionais que já integram o mercado.

A diferença é que nosso player tem as funções ‘ao vivo’ além do ‘streaming’. (…) Vamos também incluir ofertas que incluem o Telecine e o Premiere na mesma plataforma.

Thiago Verly, gerente de produtos do Globoplay
FOTO: TV GLOBO

Aquisição “Sem Precedentes”

A head de conteúdo Bianca Serra contou que a Globoplay esteve em 2018 na feira de programação em Las Vegas, nos EUA, e afirma que a empresa fez uma “aquisição em massa e sem precedentes” na história da TV brasileira em termos de conteúdo licenciado de terceiros. Essa é uma das promessas para o ano de 2019: estrear cerca de 100 novas séries originais e licenciadas.

Quando questionei quais seriam tais produções, Bianca informou que os comunicados sairiam à medida em que os acordos forem finalizados. Sabemos que além das já mencionadas atrações, The Handmaid’s Tale chegará em 2019 e séries de outros canais no Brasil como The Big Bang Theory e Young Sheldon chegarão no formato de “segunda janela” digital, já que as emissoras Warner e Paramount Channel não possuem plataformas de streaming próprias.

Basicamente qualquer série internacional que ainda não tem um canal ou serviço de streaming no Brasil tem grandes chances de desembarcar no Globoplay em breve.

Bianca Serra, head de conteúdo do Globoplay
FOTO: HULU

A diferença, segundo a head de conteúdo, é que serão atrações escolhidas “por brasileiros e para brasileiros”, em direta referência à presença dos players internacionais e posicionando o Globoplay como um serviço “genuinamente nacional”. “Vamos manter a vertente de brasilidade”, completou.

Funcionalidades e Conteúdo Próprio

A plataforma Globoplay é livre de publicidade no modelo pago e os executivos garantiram que continuará assim, apesar “da publicidade estar no DNA da Globo”. No modelo grátis, com acesso a parte dos programas da própria emissora carioca, o usuário não-assinante ainda será impactado por anúncios.

Além do conteúdo terceirizado, a Globoplay informa que o assinante terá acesso a toda a grade da Globo disponibilizada em média “em até duas horas” após a exibição linear e a função Cloud DVR, que permitirá ao assinante retornar a programação ao vivo em 1h no ambiente móvel.

FOTO: GLOBOPLAY

Prometeram, também, novos conteúdos exclusivos para a plataforma, os chamados “originais” – termo popularizado pela rival Netflix -, além de perfis de uso e o já disponível download-to-go em dispositivos móveis, o que é muito importante no Brasil. Atualmente Netflix e Amazon Prime são os players que possibilitam o download em dispositivos (HBO GO e FOX+ não o fazem e o Crackle está deixando o país).

Além de Ilha de Ferro, que retornará para a 2ª temporada em 2019, eles também resgataram a série Sessão de Terapia, que terá Selton Mello (O Mecanismo) e Morena Baccarin (Gotham) no elenco. Mesquita, o diretor geral, disse que eles não vão buscar talentos exclusivamente na própria Globo:

Nós partimos da vantagem de ter conteúdo próprio também estamos ativamente buscando o mercado independente e não-Globo.

João Mesquita, diretor-geral do Globoplay
FOTO: GLOBOPLAY

Por último, eles explicaram que o foco do Globoplay para conteúdos originais e licenciados será maior em séries de TV no começo e não tanto em filmes e documentários.

Será que já vale a pena assinar o Globplay?

Depois da conversa confesso que fiquei muito animado com o novo “formato” do Globoplay. O investimento grande em produções de terceiros é um atrativo especial para fãs de séries como eu e, em termos de conteúdo, o streaming da Globo tem sim forte caminho para crescimento.

O preço é barato, são R$ 19,90 por mês, se posicionando entre Amazon Prime Video (R$ 7,90/mês nos primeiros 6 meses) e Netflix (pacotes que variam entre R$ 19,90 e R$ 37,90), bem aquém das assinaturas premium de FOX+ e HBO GO que custam cerca de R$ 35,00 mensais. O acesso também é fácil, já que o aplicativo do Globoplay está disponível na maioria das TVs smart e também em todo o mercado móvel.

FOTO: NETFLIX/HBO/AMAZON

Se vale ou não, dependerá do tipo de conteúdo que o assinante gosta de ver. Pra quem já é consumidor das atrações da Globo e deseja ter acesso a todo o catálogo e programação ao vivo, só aí já vale a assinatura. Considero ainda o catálogo de séries licenciadas pequeno, mas já interessante por conta de alguns títulos exclusivos, em especial The Good Doctor e Killing Eve. Ainda não é indispensável como a Netflix, contudo.

Em termos técnicos, pelo menos na minha SmarTV Samsung, o aplicativo do Globoplay ainda apresenta muitos bugs, mesmo na versão mais atualizada. Alguns títulos simplesmente não tocam e é necessário muita insistência para funcionar (lembrando às vezes os problemas que temos na FOX+ e HBO GO). A boa notícia é que os conteúdos estrangeiros que testei possuem ambas opções de áudio original e legendas ou áudio dublado.

Uma coisa é certa: se o Globoplay entregar em 2019 tudo o que foi prometido neste papo, o serviço de streaming tem tudo para ser a segunda opção – e às vezes até a primeira, para alguns públicos – quando estamos falando de SVOD no Brasil. O tempo dirá.

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