FOTO: NETFLIX

Por: Bruno Carvalho

O Justiceiro: 2ª temporada evidencia o estado terminal da parceria Marvel/Netflix

É sintomático que ao terminar de assistir à 2ª temporada de O Justiceiro, o “comercial” da próxima atração a ser assistida que apareceu na plataforma foi a de Titãs, drama do serviço de streaming DC Universe – rival da Marvel – e que é distribuído mundialmente pela Netflix. Uma evidencia clara que a parceria da gigante do streaming com a casa das ideias está respirando por aparelhos, especialmente depois desta leva episódios sofríveis.

Quando dei play aqui, as demais séries da parceria Marvel e Netflix, com a exceção de Jessica Jones, já estavam abruptamente canceladas e todas sem um final conclusivo. Enquanto o fim de Punho de Ferro era merecido e esperado, Luke Cage e, especialmente, Demolidor, ainda tinham um caminho a percorrer.

FOTO: NETFLIX

A série de Frank Castle nem fazia parte da leva inicial de produções anunciadas. Ela foi encomendada posteriormente graças à boa recepção que o personagem (e a vigorosa interpretação de Jon Bernthal) teve no segundo ano do drama do Homem Sem Medo. A ideia de uma produção de heroi estrelada por um anti-heroi era (e foi) interessante, assim como a ótima primeira temporada que estreou em 2017 na mesma plataforma.

Dois anos depois, Castle (Bernthal) retorna “banido” de Nova York graças a um acordo com o departamento de Segurança Nacional e agora vaga pelos interiores dos EUA tentando ficar fora do radar. Em suas andanças, ele acaba entrando “sem querer, querendo” na confusão da jovem Amy (Georgia Whigam), uma garota perseguida por uma obscura organização por portar um material fotográfico disputado por gangues. Isso é o suficiente para, numa série de pessimamente escritas coincidências, fazer com que o nosso (anti) heroi retorne à cidade que nunca dorme para terminar de matar seu arqui-inimigo Billy Russo (Ben Barnes, de Westworld).

FOTO: NETFLIX

Se esta sinopse parece desconexa, é porque na verdade ela é. Iniciando a temporada muito bem com ótimas sequências de ação, O Justiceiro, logo começa a mostrar sinais de fraqueza em sua narrativa ao deixar claro que os roteiristas não sabiam muito bem qual é o foco. O resultado são 13 episódios que soam repetitivos, desnecessários e cansativos. Perdi a conta de quantas vezes a série deu voltas para chegar no mesmo lugar, incluindo capítulos onde Castle ficava literalmente sem nada o que fazer no apartamento de Madani (Amber Rose Revah) em vez de investigar o paradeiro de seu algoz, uma condição que a agente do governo impôs para que ela hospedasse os dois criminosos (risos nervosos).

Isso sem contar nas várias (e bem montadas) sequências de ação que iam perdendo a força quando ficava notório que Frank Castle jamais pode ser destruído – mesmo sem ter nenhum poder especial – por pior que a ameaça fosse, fazendo com que o peso de cada soco ou tiro que ele toma cada vez menor.

FOTO: NETFLIX

Os capítulos também foram povoados com personagens estúpidos ou irritantes, como a própria Amy, a inconsequente e irreal agente Madani (que consegue se safar de praticamente qualquer coisa), a irresponsável psicoterapeuta Krista e o agora trabalhado no overacting Billy Russo (e seu exército de Mister M.

O mote da temporada foi o de “ganhar tempo” até que resoluções simplórias para os dois arcos narrativos fossem costuradas de qualquer forma pelos realizadores. Em determinado momento do episódio final, o inconsistente sargento Mahoney pergunta para Curtis: “O que o senador tem a ver com Billy Russo?” e a resposta é “Nada”, deixando cristalino que absolutamente nada foi realmente pensado.

Em termos de aspectos técnicos, usualmente caprichado pelas produções Marvel, O Justiceiro também desaponta, ainda mais em cenas que foram deliberadamente aceleradas (note algumas perseguições de carro) e na esdrúxula – dizendo o mínimo – queda de Krista. É uma pena, contudo, que um personagem tão forte e icônico – ainda mais nesta iteração com Bernthal – e que poderia protagonizar uma série tão melhor e mais profunda que esta, foi vítima do esgotamento criativo desta moribunda joint-venture do streaming.

Veja mais:

Os comentários estão desativados.

ss