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Por: Bruno Carvalho

True Detective faz boa temporada, mas com mistério fraco

O texto contém spoilers

Ontem à noite enquanto o mundo conhecia os vencedores do Oscar 2019, a HBO norte-americana exibiu o final da 3ª temporada de True Detective, trazendo uma resolução para o mistério que foi apresentado oito semanas antes. Sabemos que a franquia passou por tempos turbulentos após a (injustamente) criticada 2ª temporada, o que fez com que o projeto ficasse em hiato por alguns anos. Neste retorno, o criador Nic Pizzolatto contou com a ajuda de David Milch (Deadwood) e com uma excelente dupla de protagonistas encabeçada por Mahershala Ali (Luke Cage) e Stephen Dorff (Star).

O desenvolvimento foi satisfatório, graças principalmente ao estabelecimento da narrativas em três linhas temporais separadas por décadas (anos 1980, 1990 e 2010), mas intrincadas e de certa forma convergentes no caso do desaparecimento de um casal de irmãos na região dos Ozarks. Além disso, o recurso de utilizar o estado inicial de Alzheimer no detetive Wayne Hays (Ali) é brilhante, justamente para permitir que “certos” acontecimentos fossem revelados somente quando deveriam.

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Mas True Detective não seria True Detective sem um bom mistério e o caso dos irmãos era, no começo, realmente instigante: as crianças desapareceram em circunstâncias bastante estranhas, havia pairando no ar indícios de uma conspiração em larga escala – em alguns momentos até mesmo fazendo interseção com o caso da primeira temporada -, personagens pra lá de suspeitos e uma aura de inquietação que mexia com todos os envolvidos.

É por isso que mesmo com uma temporada muito bem trabalhada e com avanços e retrocessos dosados, o final foi aquém do que a própria série indicava e de certa forma até prometia. Não teve uma grande conspiração envolvida, nem uma rede de pedofilia, nenhuma grande reviravolta, nada. Tudo se originou de uma transação bastante escusa entre duas mães, um intermediador e uma situação que fugiu do controle. Só. Neste sentido, foi uma resolução decepcionante, expositiva (sério, o homem sem olho simplesmente contou tudo?) e esquecível.

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Valeu por Mahershala Ali e Stephen Dorff, as linhas temporais (e montagem), diálogos inspirados, a excelente Carmen Ejogo e o excepcional trabalho de maquiagem. O fim, porém, foi uma mescla de Sharp Objects com qualquer outro filme genérico de mistério de desaparecimento que empurra a nota final pra baixo, com várias amarras soltas (a personagem de Mamie Gummer, por exemplo, é bastante mal explorada, especialmente dado seu envolvimento central na trama; o documentário que estava sendo feito some do nada etc.). Uma pena, pois a franquia merecia mais que uma temporada somente boa e que jamais chega aos pés da primeira.

As três temporadas de True Detective estão disponíveis na HBO GO.

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