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Por: Bruno Carvalho

Arrested Development termina bem, mas aquém da série que um dia foi

Arrested Development teve uma trajetória bastante conturbada na TV desde que estreou no início dos anos 2000 no canal FOX. Foi uma comédia pouco assistida e compreendida, mas que anos mais tarde virou cultuada até ganhar um revival na Netflix. Sua 4ª temporada foi experimental, já que o elenco multiestrelado não podia gravar junto por questões de agendas e seu criador Mitch Hurwitz decidiu contar a história de uma forma não-linear e um pouco confusa. Anos mais tarde o quarto ano foi reeditado em forma cronológica até que chegamos na 5ª e (certamente) última temporada.

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Os primeiros episódios estrearam no fim do ano passado no meio de uma grande controvérsia envolvendo agressão verbal de Jeffrey Tambor contra sua colega Jessica Walters e também de abuso sexual confessado do ator no sets de Transparent, do qual foi expulso. A primeira metade da temporada, querendo ou não, sofreu com tudo isso. O elenco não estava em sua melhor forma, a trama ficou complexa, desconexa e desinteressante demais e até mesmo o humor sempre ácido e cheio de referências internas ficou morno.

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No último fim de semana a Netflix estreou a segunda leva de episódios que, felizmente, trouxeram a história de uma família rica que perdeu tudo e do único filho que não teve outra escolha a não ser lutar para manter todos juntos. No final das contas, Arrested Development deu uma enxugada na multiplicidade de tramas paralelas que não levavam a lugar algum e focou sua narrativa nas duas principais pontas soltas deixadas pela 4ª temporada: o assassinato de Lucille Austero e o imbróglio com o tal muro com o México.

A ambientação em 2015 pré-Trump mantida finalmente foi melhor utilizada pelo texto, que passou a fazer comentários políticos e sociais mais direcionados, sempre utilizando as características egocêntricas e egoístas dos Bluth, em especial GOB (Will Arnett), Lucille (Walters), Buster (Tony Hale) e George Sr. (Tambor), rendendo os melhores momentos. Por outro lado, o sempre consistente Jason Bateman (que brilha em Ozark) começou a demonstrar sinais de esgotamento do personagem, o mesmo podendo ser dito sobre o George Michael de Michael Cera e a Maeby de Alia Shawkat.

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Já o núcleo secundário do outrora irreverente e incorrigível Tobias Fünke com suas expressões de duplo sentido e sexualidade confusa representaram os piores momentos da temporada, que não tinha a personagem Lindsay de Portia de Rossi para fazer o delicioso bate/rebate.

Fiquei feliz que acabou, pois era uma série que merecia um desfecho depois de uma trajetória tão complicada, mas confesso que em vários momentos durante a 5ª temporada (partes 1 e 2) fiquei com vontade de simplesmente avançar para o último capítulo, tamanha a quantidade de histórias que simplesmente não avançavam.

Com algumas surpresas (em especial o documentário de Ron Howard, inicialmente apresentado como flashbacks) e momentos que vagamente lembraram os anos de glória (as primeiras três temporadas) Arrested Development visivelmente “se apressou” para entregar um final que pareceu pelo menos satisfatório com tantos elementos e personagens como Oscar, Debrie, Tony Wonder, os Sitwell etc. no jogo.

Arrested Development claramente não soube “modernizar” sua narrativa, que ficou empacada na década de 2000. Pelo menos tivemos momentos divertidos e nonsense que compensaram tamanha espera por um desfecho. Não fará, infelizmente, a falta que fez quando foi subitamente cancelada lá atrás.

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