FOTO: NETFLIX

Por: Bruno Carvalho

Crítica | 3% evolui e cresce em sua concisa e ótima 3ª temporada

Na realidade pós-apocalíptica de 3%, os problemas são muito parecidos com os vivenciados nos dias de hoje. Na 3ª temporada a série amplia a sua narrativa e a escala da produção nos jogando de cara na Concha, uma espécie de “terceira via” fundada por Michele (Bianca Comparato, ótima) no deserto. É nessa comunidade alternativa à pobreza dominante do Continente e a exclusividade injusta do Maralto que os novos desafios se concentram.

FOTO: NETFLIX

É notável o caminho que a série percorreu desde a tímida estreia da 1ª temporada até chegar num 3º ano com discussões de temas sempre pertinentes. O primeiro capítulo abre com uma surpreendente sequência de ação que supera o de muitas produções hollywoodianas, num trabalho excelente tanto do time de efeitos visuais (a tempestade de areia ficou impecável), direção, montagem e, especialmente, do elenco que já havia encontrado o tom adequado na 2ª temporada.

Além de tematicamente arrojada, pincelando discussões interessantes sobre justiça social, democracia, peso do poder e até mesmo “contingenciamento”, 3% se sobressai ao focar no desenvolvimento de seus personagens, em especial Michele, que enfrenta o maior desafio de sua vida como líder da Concha, e Joana (a sempre intensa e excelente Vaneza Oliveira), assumindo bem seu papel de constante questionadora.

Na trama, além dos habituais conflitos, a introdução da Concha acabou trazendo uma dinâmica inédita e interessante, enquanto seus próprios habitantes precisavam lidar com viabilidade e sustentabilidade dessa nova e utópica sociedade.

FOTO: NETFLIX

Fiquei especialmente feliz com duas grandes viradas de roteiro que não consegui prever, evidenciando o cauteloso planejamento da temporada, muito bem ambientada graças ao excelente design de produção que confere características, cores e até mesmo iluminações distintas para cada um dos três principais “mundos”. 3% infelizmente ainda apresenta o mesmo problema de artificialidade de uma considerável parte dos diálogos, embora numa dosagem menor que no primeiro ano.

A série da Netflix, contudo, continua evoluindo sua premissa original de forma muito positiva e consistente, capaz não apenas de surpreender, como de nos fazer importar de verdade com o destino dos personagens e da história que iniciou anos atrás com um ambicioso curta metragem.

Os comentários estão desativados.

ss