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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Euphoria: uma série adolescente que quer desesperadamente ser profunda

Baseada nas experiências de Sam Levinson, filho do diretor Barry Levinson (Rain Man) e na homônima אופוריה da TV israelita, Euphoria estreia esta noite na HBO trazendo a estrela teen Zendaya (Homem-Aranha: De Volta ao Lar) no papel de Rue, uma adolescente da geração Z que cresceu diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade e outros males psíquicos do mundo pós-moderno.

Com uma produção caprichadíssima, o drama chega com a intenção de mergulhar o espectador no universo adolescente atual, com direito até a “instruções” em off para um público sênior (da HBO). Recém saída de um período na reabilitação, Rue é uma adolescente aborrecida com a vida em sua pacata cidade e que, em seu dia a dia, ela vivencia, por si ou por meio de amigos, drogas, slutshaming, violência sexual, vício em medicamentos controlados e por aí vai.

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Mas tudo isso é exposto de uma forma que soa inverossímil e, pior, exageradamente escrito com o único propósito de chocar. O primeiro episódio é pesado, exaustivo e não indica muito a que veio. Por horas parecia que estava percorrendo o feed de Stories de uma festa rum que passou muito do ponto e saiu do controle. Mesmo apresentando temas fortes, o drama não desenvolve ou aprofunda em qualquer tipo de discussão neste longo episódio piloto.

Mesmo com certo discurso progressista, é ainda um pouco contraditório que a atração se baseie tanto em cenas violentas ou extremas, carregadas de nudez de atores e atrizes jovens, sem qualquer propósito aparente, como um misto de 13 Reasons Why com revenge porn. Tirando uma única subtrama que encaminha a produção para frente – um encontro no Tinder entre um “McDreamy” agressivo (Eric Dane, Grey’s Anatomy) e uma garota trans (Hunter Shafer), – Euphoria se apresenta como uma série rica em visual, mas vazia em conteúdo após seu capítulo inicial.

A atração tem o potencial de crescer nesta primeira temporada se apresentar algum tipo de narrativa que justifique tanta gratuidade e exagero na forma de retratar o universo jovem, mas por esta estreia a impressão não é das melhores. Aliás, espero que a HBO exiba o drama com avisos de gatilho, pois a quantidade de cenas desconfortáveis é acima da média até mesmo para as atrações densas e adultas que o canal exibe de forma recorrente em sua grade. [Atualização] O canal exibiu o aviso na TV.

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