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Por: Bruno Carvalho

Crítica | MIB: Internacional é um pálido exemplar de uma outrora proeminente franquia

É com sentimentos conflitantes que, fã incondicional de de MIB como eu, recebi a notícia deste revival subtitulado “Internacional”. Por um lado, é positivo que não quiseram simplesmente “cancelar” a história original, nem mesmo repetir à exaustão seus passos e gags – algo que os capítulos 2 e 3 fizeram sem sucesso. MIB: Internacional não gasta tempo restabelecendo o universo que já é conhecido pelo grande público e não procura emular a todo tempo a dinâmica de sucesso entre Will Smith e Tommy Lee Jones.

Por outro lado, infelizmente, a adição dos ótimos Tessa Thompson e Chris Hemsworth (Thor: Ragnarok) não conseguiu trazer frescor à franquia, muito pela química entre eles – que existe, mas é mal estabelecida – e pelo roteiro sem foco. A trama de MIB: Internacional é simples, porém difusa. Desde pequena, a jovem M (Thompson) tem a ambição de se tornar uma integrante da secreta organização que lida com a vida extraterrestre na Terra após um encontro de outro mundo com um deles. Obstinada, ela acaba conseguindo – com uma facilidade absurda – uma vaga na agência e de cara é colocada para trabalhar num caso internacional.

É na sucursal de Londres que os Homens de Preto parecem enfrentar algum tipo de “problema” envolvendo o proeminente e boêmio agente H (Hemsworth) e a chegada de um visitante intergalático que possui um segredo – e se você pensou em um artefato que cabe no bolso e traz um significado maior, você, por óbvio, acertou. Ele tem algo a ver com a “Colmeia”, uma espécie de colônia de alienígenas que quer destruir a Terra, mas que aparentemente havia sido detida em uma aventura anterior de H com o atual chefe, o agente High T (Liam Neeson).

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Mas… é isso. Sem estabelecer bem a dinâmica na divisão londrina e o que é a tal ameaça, MIB: Internacional joga a nova dupla em campo (as únicas locações realmente “internacionais” além de Londres são Marrakesh e Paris) para uma missão que ninguém (nem os roteiristas) sabe bem o motivo, até que reviravoltas previsíveis, coincidências e muita conveniência no texto acabam amarrando tudo num final anticlimático e que jamais mostra o real potencial da franquia, de quebra desperdiçando nomes como Emma Thompson, Kumail Nanjiani e Rebecca Ferguson no processo.

O bom humor é um ponto alto e fora da curva neste longa, capaz de extrair sorrisos graças às bem-sucedidas gags recorrentes do universo, já estabelecidas pelos capítulos anteriores – do inventivo design dos alienígenas, armas e outras particularidades deste universo até os efeitos visuais sempre competentes e surpreendentes. Mas mesmo com tanto potencial, MIB: Internacional não consegue ir além de um spin-off que empalidece demais diante de seu brilhante original.

Talvez fosse melhor a Sony deixar os Homens (e Mulheres) de Preto de quarentena por mais um tempo e tentar de novo com realizadores mais competentes.

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