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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Stranger Things faz da terceira a sua melhor temporada até agora

Stranger Things retorna nesta quinta, 4 de julho, para sua terceira temporada e a Netflix mandou todos os oito episódios antes da estreia com uma condição: não revelar nenhum dos grandes (alguns chocantes) acontecimentos antes da atração ir ao ar. Assim, esta crítica está livre de spoilers. ;)

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O ano é 1985, a turma de Hawkins, Indiana está pronta para o verão. A cidade ganhou um shopping center novo em folha, que resgata aquela aura gostosa da adolescência de dar um rolê, ver um filme, jogar fliperama e passar tardes e tardes sem fazer nada durante as férias. A infância foi embora e a dinâmica na turma original mudou graças aos romances. Enquanto eles descobrem como lidar com hormônios, o agora pacato lugar – meses após Eleven (Millie Bobby Brown) ter fechado a passagem para o Mundo Invertido – começa, claro, a ter coisas estranhas acontecendo novamente.

Posso dizer que, em termos de estrutura, Stranger Things 3 remete à ótima forma da primeira temporada, mas indo além. Os irmãos Duffer criam aqui uma trama concisa, enxuta e que não precisa reapresentar elementos já vistos, possibilitando que a série sempre caminhe para frente, sem dar voltas desnecessárias. A ambientação no verão deixa de lado o tom mais sombrio dos anos anteriores e passa a adotar uma paleta mais colorida como nos clássicos filmes oitentistas de amigos, mesmo quando a nova ameaça que ronda a cidade começa a tomar forma. Isso é refletido não apenas na fotografia, como nos figurinos.

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Além das atuações excelentes de todo o elenco, com destaque para Brown (Eleven), Gaten Matarazzo (Dustin), Sadie Sink (Max), David Harbour (Hopper) e da estreante na turma Maya Hawke (Robin), o terceiro ano da série tem como grande trunfo elevar ainda mais a dimensão do universo já retratado e introduzir novos elementos que tornam o drama ainda mais assustador. É muito difícil se fazer uma boa série de suspense e terror, pois algumas situações são difíceis de permanecerem “vigentes” por muito tempo. Aqui, ao contrário, a engenhosidade dos irmãos Duffer mantém três núcleos de personagens separados.

Assim, enquanto Mike, Eleven, Lucas, Max, Nancy, John e Will perseguem os estranhos acontecimentos em volta do novo e ardiloso “monstro” (chamarei assim por ora), Dustin, Steve, Robin, Joyce e Hopper vão atrás de quem está por trás do caso, descobrindo algo muito maior do que imaginávamos. Mesmo com tramas diversas sendo conduzidas em paralelo, elas jamais se sobrepõem e acabam convergindo em momentos-chave para a história (o quarto episódio é um dos melhores que vi este ano), otimizando muito bem todo o tempo em tela e permitindo momentos de protagonismo de vários personagens, até mesmo os secundários.

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O horror, suspense e ação estão presente com cenas fortíssimas, balanceado por momentos pontuais de humor, que nunca soam desnecessárias ou fora do tom, mostrando que eles conseguiram atingir um equilíbrio perfeito no roteiro. Além disso, Stranger Things 3 traça interessantes paralelos com o contexto político da época (inclusive em nível internacional), ao mesmo tempo em que homenageia seu universo sem cair na armadilha de se repetir demais (existem, sim, situações recorrentes, mas sob uma nova perspectiva ou em dimensão ainda maior). Até mesmo a introdução do novo shopping tem um propósito.

A série também aprendeu que quando se trata das referências à cultura pop oitentista, menos é mais, fazendo com que menções a filmes, programas de TV e até mesmo produtos da época sejam dosadas e sempre eficientes. Outro grande feito aqui foi o de criar uma ameaça que, não apenas funciona, mas que faz com que o espectador realmente tema pelo destino dos personagens (e nem sempre vulnerável aos poderes de Eleven, o que aumenta ainda mais a tensão).

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Stranger Things 3 traz não apenas o elenco jovem amadurecido, como representa um crescimento exponencial em termos de qualidade técnica, fotografia, design de produção (em especial o shopping) e efeitos visuais. É uma temporada tematicamente interessante, brilhantemente orquestrada do início ao fim (com direito a pistas/recompensas muitíssimo bem trabalhadas) e com muitos acontecimentos importantes na vida desses adorados personagens.

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