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Por: Bruno Carvalho

O Escolhido: nova série original Netflix tem muito mistério e brasilidade em trama surpreendente

Os proeminentes escritores e roteiristas de literatura fantástica assinam a adaptação da série mexicana Niño Santo para a Netflix. O Escolhido conta a história de três jovens médicos enviados a um vilarejo remoto do Pantanal para vacinar seus moradores contra uma nova mutação do vírus da Zika. Seus esforços para tratar a população são recusados, e os médicos se veem subitamente presos em uma comunidade isolada coberta de segredos e devota de um líder enigmático que os força a confrontar o poder da fé com a ciência.

É a primeira vez que a Netflix embarca nesse gênero de suspense, mistério e elementos fantásticos em uma produção nacional e a escolha de Raphael e Carolina para adaptar essa história não poderia ter sido mais acertada. Eu conversei com o casal de roteiristas, que adiantou um pouco sobre o que podemos esperar desta primeira temporada, que está disponível a partir das 05h desta sexta, 28 de junho, na plataforma de streaming.

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Munhoz disse que “o objetivo foi fazer uma série dinâmica, com episódios que terminam com cliffhangers pra deixar o público sempre com vontade de assistir ao próximo“, o que é verdade. O primeiro episódio, exibido em um evento da Netflix, é desenvolvido com muita competência, não apenas apresentando bem a premissa e a ambientação, como encerrando com uma cena chocante. O mesmo se repete nos demais capítulos que a empresa disponibilizou ao site para conferirmos antes da estreia.

“O Pantanal, cercado por água, tem uma mística que a gente queria incorporar na série e a Netflix até nos incentivou em ambientar a atração fora de um grande centro urbano.”

Raphael Draccon

Mas O Escolhido também tem comentários sociais, muito graças à trama sobre vacinação, que acabou virando pauta graças ao irresponsável movimento “Anti-Vax” que toma conta do Brasil, mas tem ainda mais força nos EUA, onde Draccon e Munhóz residem. Eles disseram, contudo, que a ideia de abordar esse tema não foi por alguma motivação ativista, mas sim que isso estava presente no material original, de 2010, antes do movimento ganhar força.

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Foi quando pegamos os textos que vimos que ele se encaixava com o atual momento, mas ficamos feliz de estarmos levantando o debate sobre como as pessoas podem tentar conviver com essas diferenças de posições, que é o que se passa na [fictícia] cidade de Águazul [vista na série]“, contou Munhóz. “Na trama a questão da vacina é só o estopim que desenvolve a temporada“, completou Draccon.”

No centro de O Escolhido está a eterna dualidade entre fé e ceticismo, visto em séries como LOST, mas que aqui ganham uma roupagem genuinamente brasileira. Gravada no interior do Tocantins e ambientada no Pantanal matogrossense, é nítido que a brasilidade e as especificidades regionais foi incorporada na atração, criando uma identidade única.

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Munhóz disse que “é um conteúdo que o Brasil não está acostumado, pois a gente não vê tantas séries sobre locais como o Pantanal ou vilarejos mais afastados e por isso pensamos em sair do eixo Rio-São Paulo”.

“A nossa beleza e riqueza folclórica é o que a gente sempre quis mostrar nessa série, tanto para o brasileiro quanto para o mundo.”

Carolina Munhóz

O casal contou também que aproveitaram até mesmo lendas e a participação de populares locais, que foram incluídos no roteiro. Presentes nas gravações, Munhóz e Draccon, que também são produtores-executivos, fizeram mistério sobre o personagem que dá título à série, e que não aparece muito no episódio piloto.

A gente quer que o público desenvolva suas próprias teorias sobre a real natureza do Escolhido – não só se ele é mesmo poderoso, mas por que existe uma comunidade inteiramente devota a ele, completou Munhóz.

Produzida pela Mixer Films, O Escolhido é dirigida por Michel Tikhomiroff, que é também o produtor-executivo ao lado de João Daniel Tikhomiroff, Carolina Munhóz e Raphael Draccon e terá seis episódios em sua primeira temporada, o que sabiamente fez com que a série fosse concisa e intensa. Draccon comentou que essa temporada terá um arco narrativo fechado e satisfatório – com respostas para as perguntas levantadas -, mas com a possibilidade da série continuar, a depender do resultado.

“Uma coisa que a gente sempre prezou muito, vindo da literatura, é de ter um começo, meio e fim planejado para as histórias, ainda que haja uma possibilidade de continuação. A gente sentia falta de uma série que estimule a discussão e acho que isso vai acontecer com O Escolhido”

Carolina Munhóz

Assista ao trailer:

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