FOTO: HBO

Por: Bruno Carvalho

Crítica | 2ª temporada de Big Little Lies foi uma longa aula de como encher linguiça

Eu fui um dos que defenderam a existência da 2ª temporada de Big Little Lies pelo simples fato de que ainda havia história a ser contada após o final do magistroso primeiro ano. A grande “mentira” tinha acabado de ser cometida e era natural o público querer testemunhar os desdobramentos do homicídio culposo de Perry pelas mãos de Bonnie, encobertado pelas amigas, ainda mais quando desenvolveram um universo tão rico de temas e boas personagens a serem explorados.

E se o primeiro episódio indicou, muito por meio da chegada da mãe de Perry, Mary Louise (vivida pela gigantesca Meryl Streep), que teríamos potencial uma bela temporada à frente, o desenvolvimento pífio de sua narrativa nos trouxe ao final (espero que seja o fim de tudo) a confirmação de que seus inchados sete episódios jamais eram necessários para que a trama fosse concluída da forma que foi.

FOTO: HBO

Pra piorar, no meio da exibição veio a público a notícia, por meio do site IndieWire, que a versão criativa da diretora de todos os episódios, Andrea Arnold, foi retirada pela HBO e entregue ao atual produtor e ex-diretor da minisérie Jean-Marc Vallée (o canal afirma que foi apenas um realinhamento criativo).

Mesmo contando com monstros da atuação e uma produção caprichada, fato é que Big Little Lies encheu linguiça durante sete semanas com apenas três temas recorrentes e repetidos à exaustão na falta de algo melhor: os questionamentos de Mary Louise sobre a versão da morte de seu filho Perry e suas cutucadas, os problemas maritais vividos por Renata Klein (Laura Dern, a que mais salvou esta temporada) e Madeline (Reese Witherspoon) e a enfadonha chegada da mãe de Bonnie. Todos os capítulos giraram invariavelmente em torno destas histórias, que foram esticadas ao máximo para preencher tempo em tela.

FOTO: HBO

Pra piorar, ao não focar na questão policial (não entendi a presença da delegada e das cenas de depoimentos esparsas, que ao final não serviram pra absolutamente nada), o drama retirou de pauta seu maior trunfo, que seria a investigação do “acidente” e como a grande “mentira” impactaria o grupo de amigas. No lugar, ainda que tivemos ótimos momentos envolvendo Renata e o processo de falência, tudo foi resumido a um processo judicial de guarda de família (quem em sã consciência ia querer aqueles dois moleques agressivos? – divago) extremamente mal retratado e sem o menor sentido lógico, ainda mais considerando que David E. Kelley, outro produtor executivo, comandou grandes dramas jurídicos como Ally McBeal e Boston Legal). Da condução do julgamento pela juíza que atropela noções mínimas de processo, até a total inépcia dos advogados de ambas as partes, que apenas serviram de escada para que Streep e Kidman tivessem seus momentos dramáticos.

Depois de tanto vai e vem, flashes rápidos (como o daquele afogamento envolvendo Bonnie), a 2ª temporada de Big Little Lies foi apenas uma sucessão de Emmy Tapes (cenas com bons diálogos para submeter as atrizes a premiações) intercaladas por vazios e com um desfecho apressado, mesmo havendo tempo suficiente para desenvolver melhor a tal confissão. É uma pena que um projeto tão bom como esse foi sabotado em nome de prêmios e dinheiro, tanto pela autora Liane Moriarty (responsável pelo ralo roteiro que extrapolou a história do livro original), quanto pela própria HBO e produção.

Os comentários estão desativados.

ss