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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Pico da Neblina é um exercício magistral de uma utopia tipicamente brasileira

Na nova série original da HBO Brasil a maconha está liberada no país – uma realidade alternativa e ultra distante com o governo de extrema-direita que rege a política nacional. Idealizada pela equipe comandada por Quico Meirelles, da O2 Produções, Pico da Neblina é um drama que vai além do entretenimento: é uma das produções nacionais mais interessantes dos últimos tempos e com uma narrativa pungente e cheia de reviravoltas imprevisíveis.

A série acompanha a vida de Biriba (Luís Navarro, Pega Pega), um traficante “do bem”, escolado e que vende apenas maconha para sustentar sua família. Com a legalização da substância, ele encontra no seu fiel cliente Vini (Daniel Furlan, Samantha!) a chance de gourmetizar sua renda com uma boutique da droga, enquanto seu amigo e chefe do tráfico Salim (Henrique Santana) tenta convencê-lo de que está na hora de assumir novos desafios na periferia.

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Estilizada, muito bem filmada e montada à perfeição, a série desenvolve com maestria a sua premissa no excelente episódio piloto exibido para a imprensa antes da estreia neste domingo, às 21h. Chama atenção primordial pela força de seu texto que jamais soa artificial ou ditado, como é comum em boa parte das produções nacionais. Isso é graças ao elenco extremamente bem preparado, com talentos pincelados inclusive nas reais periferias e uma decisão acertada do diretor-geral.

Capaz de divertir com o humor ímpar de Furlan e de surpreender a intensidade surpreendente do estreante Santana e do competente Navarro, Pico da Neblina é uma espécie de Breaking Bad às avessas, com pitadas de Cidade de Deus e Weeds, numa mistura que não apenas funciona, como entrega com fluidez e nos faz comprar essa história já em seus primeiros minutos. Isso porque facilmente nos enxergamos nos dilemas dos personagens, que dividem conosco a dura realidade brasileira, mas com esse pequeno e utópico detalhe político-social que é a legalização.

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Habilidoso em pincelar críticas políticas e sociais sem parecer panfletária, o roteiro também se encarrega de percorrer a nova realidade com muita propriedade, criando situações verossímeis e que nos fazem querer antever o que vem pela frente. Ao final do primeiro capítulo, com a grande virada que ocorre na vida de Biriba e que certamente impactará suas relações com o mundo do crime em que o personagem tanto luta para se ver livre, o drama dá indícios de que esta provavelmente será uma das melhores séries nacionais dos últimos anos.

Com direção-geral de Quico Meirelles e colaborações de seu pai, Fernando, e outros grandes realizadores, Pico da Neblina é arrojada em sua concepção e certeira na entrega de um produto verdadeiramente premium do nosso audiovisual.

Assista à minha entrevista com o elenco:

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