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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Star Wars: A Ascensão Skywalker

Star Wars, em seus mais de 40 anos de existência, sempre foi uma franquia inconstante – seja na história principal, incluindo sua cronologia, seja em seus derivados cinematográficos e televisivos. Mas o maior feito de George Lucas foi o de ter criado um universo tão amplo e rico que ele se torna “perfeito” no imaginário coletivo, apesar dos tropeços. Retomada em 2015, a saga foi atualizada por sua nova “dona” para a nova geração com o eficiente O Despertar da Força, consolidou-se com o ótimo Rogue One, tropeçou com o desnecessário Solo e assumiu riscos com o divisor de opiniões que foi (o para mim excelente) Os Últimos Jedi.

Prefiro aqui não entrar em polêmicas extra-tela, notadamente porque não vejo A Ascensão Skywalker simplesmente como uma forma de “corrigir” as decisões do último filme, dirigido por Rian Johnson, mas mais como uma obra encomendada para que terminasse a saga sem assumir nenhum risco. J.J. Abrams, que já se provou um realizador competente, tinha aqui uma missão ao mesmo tempo honrada, por encerrar uma história de décadas com tanta expectativa e interesses (inclusive financeiros) ao redor, e ingrata, pelos mesmos motivos. Ele a cumpre apenas parcialmente, mas no. processo surge um filme essencialmente corporativo.

Retomando a trama centrada nos personagens Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac), o longa inevitavelmente coloca o pé no acelerador e retrata os últimos esforços da Resistência – incluindo aí a incansável luta da General Leia Organa (Carrie Fisher) – contra a nova investida do império liderada por um refeito Palpatine, o que inevitavelmente envolve uma busca errática por um elemento até o esperado clímax. Ah, e tem a Kerri Russel (The Americans) desperdiçada dentro de um capacete.

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Repleto de ótimas cenas de ação que sempre impulsionam a história para a frente, o roteiro de Abrams com Chris Terrio (Liga da Justiça) gasta boa parte de suas páginas finalmente aprofundando no mistério que cerca a identidade de Rey, questionada desde o episódio VII (não darei spoilers aqui), mas que chega sem preparo e, confesso, tarde demais para nos importarmos. Esta, inclusive, é a sensação que fica em diversos momentos do filme em que até mesmo as reviravoltas inseridas não mais inspiram surpresa no espectador, algumas por já serem esperadas e outras porque dificilmente é possível temer pelo destino daqueles personagens.

Isso fica evidente em uma passagem particular (vocês saberão qual ao assistir) que poderia gerar uma comoção e depois um alívio muito maior se não fosse tratada como algo prosaico e com uma solução quase imediata e não raro há momentos em que um “pressentimento” ou algum elemento etéreo resolve situações do nada como minis deus-ex machina ao longo da projeção. Diria o mesmo do fan service do filme, que na maioria das vezes é jogado fora de um contexto melhor ou sem o menor timing, apenas para cumprir tabela. J.J. Abrams sempre joga seguro neste filme, sem muita inventividade.

Quando A Ascensão Skywalker pontualmente funciona, porém, este o faz bem, especialmente no design de produção e em algumas sequências icônicas como aquelas portadas de Os Últimos Jedi onde Kylo Ren (Adam Driver) e Rey compartilham uma ligação profunda. Igualmente eficiente é o arco dramático destes personagens que, aí sim, funcionam no contexto dos três últimos filmes e desempenham uma quebra de paradigmas da própria saga, culminando para seu inevitável e moderadamente satisfatório desfecho.

Com mensagens carregadas de positividade e conferindo um significado abrangente e tocante sobre família x hereditariedade, A Ascensão Skywalker é um bom filme, mas não posso dizer que seja “memorável”, “único” ou “definitivo” ou que saí da sessão “completamente maravilhado”. Saí contente, mas rapidamente o capítulo parou de ecoar em minha mente. Talvez este não seja mesmo o objetivo final dos realizadores (e neste rol incluo não apenas o diretor e roteiristas, mas os executivos do conglomerado), já que esta é uma história que continuará a ser contada nos cinemas, séries de TV, animações e até em parques temáticos.

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