FOTO: UNIVERSAL PICTURES

Por: Bruno Carvalho

1917 é uma experiência cinematográfica formidável e intimista

1917, celebrado longa de Sam Mendes (Beleza Americana) sobre a Primeira Guerra Mundial não é e nem pretende ser um registro documental sobre um dos mais devastadores conflitos da humanidade; para isso existem diversos outros materiais que já debulharam sobre o assunto. No lugar, o que temos é uma história intimista sobre um episódio bem particular (e não necessariamente historicamente preciso), contado por meio de um formidável plano-sequência de duas horas.

Na trama, dois soldados do exército britânico L.C. Blake (Dean-Charles Chapman, Game of Thrones) e L.C. Schofield (George MacKay, 11.22.63) recebem uma simples, porém quase impossível missão: atravessar um território ainda sob disputa para entregar uma mensagem crucial a um pelotão da Tríplice Entente na iminência de sofrer uma terrível emboscada dos rivais do Império Central. Uma premissa clara, precisa e executada à perfeição.

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Sem jamais retornar a uma mesma locação, a direção de Sam Mendes percorre a jornada destes dois combatentes em meio a adversidades ao longo do percurso em distintas e memoráveis sequências de ação, tensão e suspense (com destaque para a que se passa à noite e é iluminada apenas pelo brilho de morteiros), costuradas magistralmente, levando o espectador para o centro da ação como uma testemunha ocular dos horrores da guerra.

Não se trata de um filme de desenvolvimento de personagens – e também nem poderia ser por conta de seu formato -, mas ainda assim Mendes, que também serve como co-roteirista, consegue imprimir no pouco tempo que tem características próprias e delimitadas aos protagonistas, que justificam suas erráticas ou acertadas decisões enquanto executam o trabalho.

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Esteticamente impecável em todos os sentidos, 1917 transcorre alternando estilos dentro da própria estética contínua, criando planos que vão desde a mais óbvia câmera-subjetiva (em que assume o ponto de vista de seus personagens), passando por elaborados travellings que dão o contexto e a magnitude exigida por um longa neste gênero.

Ainda que irrepreensível na técnica, nos figurinos, no fabuloso trabalho de iluminação e na trilha-sonora pontual e orgânica, Mendes não se rende ao puro exibicionismo (como o de Iñarritu em Birdman ou O Regresso), embora seu feito seja notável, optando que a própria fluidez do trabalho fale por si. Assim, 1917 foca na ação e permite um envolvimento total e integral do espectador que é transportado para dentro da ação sem fazer com que a quarta parede seja transposta pelo feito cinematográfico.

Este é um filme que deve ser visto numa (boa, se possível) sala de cinema, para que todo o impacto desta obra seja apreciado. É uma viagem de tirar o fôlego por duas horas.

Trailer:

Featurette: Criando o Plano-Sequência de 1917:

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