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Por: Bruno Carvalho

The Circle: um “reality” com premissa interessante num formato entediante

Estreou na última quarta na Netflix a edição norte-americana do reality-show The Circle, que originalmente estreou no Channel 4 em 2018. A versão brasileira, inclusive, está sendo produzida por aqui. A premissa é bastante interessante: oito pessoas são confinadas em um prédio, cada uma em seu apartamento, e a única forma de comunicação entre elas se dá por meio de uma plataforma virtual meio Siri meio Facebook. Com base nas interações em grupo e em salas individuais, eles devem decidir a cada dia quem são os “influenciadores” e os “bloqueados”.

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A ideia, óbvio, é mostrar a superficialidade do mundo virtual em redes sociais e como somos capazes de julgar (na maioria das vezes mal) as pessoas pelas aparências. Outra possibilidade intrigante que o reality permite é o de dar aos participantes a chance de entrar no jogo como outra pessoa (e dois lá fizeram isso), já que eles jamais se encontram.

Mas os problemas de The Circle residem principalmente no formato engessado e repetitivo. Com episódios longos, o espectador precisa literalmente ficar assistindo aos participantes ditando e lendo frases para uma tela virtual, o que rapidamente fica entediante. Os concorrentes de um prêmio de US$ 100 mil, aliás, são pessoas que, por falta de socialização, soam fúteis e apagadas (até mesmo as que aparentemente não são). A melhor parte de um reality-show de competição como o (desgastado) Big Brother e (o ótimo) De Férias com o Ex é justamente ver os conflitos gerados pelo confinamento, convivência, eliminações etc., o que aqui também fica compartimentalizado em cada apartamento. O De Férias com o Ex, aliás, nem prêmio tem, mas é extremamente bem editado ou comentado.

Além disso, a apresentação/narração insossa não ajuda e a montagem (edição) é pouco inventiva, limitando-se a percorrer – quarto por quarto – as reações dos participantes ao que está acontecendo ou a joguinhos bestas, todos virtuais, como “quebrando o gelo”, “fazer bolos”, “descreva a celebridade” e por aí vai, cujo prêmio é o direito a uma festa SOZINHOS em cada . Sério? Montagem e conflitos pessoais em reality-show é tudo. Aqui falta drama, falta treta.

Não duvido que, à exemplo de outros formatos importados, o Brasil tem a chance de fazer uma versão melhor que as gringas, como já acontece com os que já mencionei. Por ora, The Circle US está bloqueado da minha TV como a modelo que foi eliminada no primeiro episódio. Quer um reality bom na Netflix? Vá de Instant Hotel.

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