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Por: Allan Verissimo

Entrevista com Gabriela Toloi, primeira atriz brasileira a participar de Doctor Who!

Criada em 1963, Doctor Who mudou a história da televisão britânica, contando as aventuras do Time Lord que roubou uma TARDIS quebrada e viajou pelo espaço e tempo, descobrindo as maravilhas do universo, fazendo amigos, e salvando o dia. No decorrer de 57 anos, o Doutor foi interpretado por dezenas de atores e, mais recentemente, atrizes, tendo sobrevivido a um cancelamento no final dos anos 80, uma tentativa mal sucedida de retorno com um telefilme nos anos 90, e finalmente voltando a cair nas graças do público e da crítica com um revival no século 21.

A 12ª temporada de Doctor Who acabou sendo particularmente especial para o fandom brasileiro. Isso porque a série finalmente acabou contando com a primeira participação de uma atriz brasileira: Gabriela Toloi, que interpretou a vlogueira Jamila no episódio 6, “Praxeus”. O Ligado em Série teve a oportunidade de fazer um bate-papo com a atriz de 24 anos, que contou um pouco sobre as circunstâncias nas quais ocorreram a sua participação, algumas curiosidades das gravações, e o que podemos esperar dela no futuro.

Olá, Gabriela, é um prazer conhecê-la. Você assistia ou conhecia Doctor Who antes de trabalhar na série?

Eu conhecia a série, é uma série muito famosa. Eu gosto bastante de Sherlock, com Benedict Cumberbatch, e na época, o showrunner das duas séries, de Doctor Who e do Sherlock era o mesmo, o Mark Gatiss. Então eu acabei conhecendo, até porque os fãs de Sherlock também são fãs de Doctor Who. Então eu fui num encontro uma vez, e acabei tendo contato com esse mundo, mas eu nunca assisti. Então antes de eu fazer parte da série eu não tinha assistido, até porque eu tinha a impressão de ser algo mais sci-fi e não era a minha pegada. Não gostava muito de fantasia e sci-fi. Eu sempre gostei muito mais de drama, mistério… então eu nunca tinha assistido. Quando eu fiquei sabendo que iria fazer os testes, eu acabei entrando em contato. O meu colega de casa em Londres é viciado em Doctor Who, ele tem caneca de Doctor Who, as miniaturas, e quando eu fui chamada para fazer o teste, foi aí que tive um contato maior. Então eu entendi o universo, entendi até que tinha um episódio de mistério, de História, eu gostei para caramba. Eu achava que era uma coisa, e pode ser uma coisa completamente diferente. Existem episódios que são mais sci-fi e tudo, mas também existem episódios que são mais misteriosos, ou de história. Então acabei gostando. O meu contato maior com a série ocorreu quando eu fui chamada para fazer os testes.

Como se sente sabendo que é a primeira atriz brasileira a trabalhar em Doctor Who, um ícone da televisão britânica com 56 anos de existência?

Eu acho muito legal, principalmente porque na Europa agora estão seguindo uma pegada bem legal, de quando são personagens de outros países, como Brasil, ou da nova série Drácula, onde tem que ser alguém da Romênia, eles não estão pegando britânicos que aprenderam o sotaque, ou que estão imitando brasileiros. Eles pegam realmente pessoas do país. Tiveram então eu e a Joana, uma brasileira e uma portuguesa fazendo brasileiras. Na série, Drácula foi feito por um ator romeno. Eu acho muito legal, não só porque as pessoas estão aceitando mais pessoas de outros países, como que eu sinto que estou abrindo portas para outras pessoas também. Então eu recebi muitas mensagens e mesmo quando eu estava no Brasil, eu sabia de pessoas que tinham vontade de fazer uma carreira internacional, de tentar… A gente cresce querendo ser estrela de Hollywood, e a gente acha que isso é muito distante, que é uma coisa nada a ver, como assim, a gente nunca vai chegar num nível desses. Mas não, é possível, e eu acho que o fato de eu ter sido a primeira atriz brasileira mostra que é possível não só para mim mas também para outras pessoas. Então eu sinto que é até uma honra por eu ter começado com essa série especifica, que não é qualquer série britânica, mas sim uma série tradicional e muito querida. Para mim, é muito importante, eu gostei muito. Eu realmente fiquei muito feliz em saber que era a primeira atriz brasileira a representar e fazendo uma personagem brasileira, melhor ainda.

Como foi o processo de maquiagem para a sua personagem? Divertido, incomodo?

Foi um processo bem longo. Logo depois do Ano Novo, no ano passado, eu fui chamada para ir a um estúdio chamado Millennium FX, que é o estúdio onde fazem várias maquiagens de vários filmes: Harry Potter, Assassinato no Expresso do Oriente, Doctor Who. O processo começa com um molde do seu rosto, e esta foi a parte mais incômoda. Eu precisei ficar uma hora com a minha cara coberta de gesso, e o único espaço que tinha era o espaço das narinas para eu respirar. De resto, estava tudo coberto com gesso e silicone. Eu tinha que ficar com isso quase uma hora para tirar o molde perfeito do meu rosto. Essa foi a parte mais incômoda. Foi horrível, eu lembro que logo antes delas tirarem o molde do meu rosto, eu já estava quase entrando em pânico, porque eu queria sair daquele molde. Aí depois nas gravações, no final de janeiro, eu vi de fato as próteses pronta, e foi muito legal. O processo de colocar a prótese toda em si, a maquiagem pronta, demorou quatro horas, e não é incômodo. Mas é bastante logo. Então eu tinha que chegas nas gravações bem de manhã, às quatro da manhã sozinha, porque eu precisava estar pronta com a maquiagem, e o resto do pessoal era bem mais simples. Essa foi a parte difícil: acordar cedo e ir lá. Eu lembro que até dei umas cochiladas enquanto elas instalavam as próteses no meu rosto, e me maquiavam, e quando eu acordei e me vi… fiquei assustada. “Meu Deus, é muito real”. E eu ficava encostando e rindo, porque era muito engraçado. Eu encostava e não sentia o meu rosto, eu sentia a prótese. Aí foi divertido, óbvio, depois que está pronto. Aí no final das gravações eu já estava com o rosto cansado, porque era muita cola e silicone. Então quando eles tiravam a prótese era um alívio. Mas o processo todo de me ver com aquilo e ver o meu rosto daquele jeito era muito legal. Eu gostava muito de O Fantasma de Ópera na infância, e eu via aquela maquiagem. Era incrível, eu me senti meio O Fantasma da Ópera, meio Alien. Foi legal. Foi uma experiência muito bacana e diferente. Não é algo que um ator faz todo dia.

Pode nos contar um pouco mais sobre a sua personagem e o arco dela no episódio?

Minha personagem se chama Jamila, ela é brasileira, e junto com a amiga dela, Gabriela, elas tem um vlog online, e elas viajam para lugares legais e naturais. Elas são até famosas no meio delas. A Gabriela viu essa cachoeira no Peru e queria levar a Jamila lá, porque é o lugar mais lindo que ela já viu na vida dela. Quando elas chegam, o lugar virou um lixão, todo poluído, e nem há mais cachoeira. E a Jamila fica brava, ela diz “Não vou acampar e dormir aqui, isso não faz sentido”. E a Gabriela quer explorar, quer saber e acaba convencendo ela a dormir no meio do lixão. E o desenvolvimento dela é que ela sai para pesquisar o que está acontecendo, ela escuta barulhos e acha estranho, e ela acaba sendo atacada por um pássaro. E a gente vai descobrir no fim do episódio que é um vírus do Praxeus, que contamina ela e faz as pessoas explodirem. Então é uma personagem que tem um desenvolvimento rápido no episódio, mas interessante, porque o que eu tenho mais ouvido e lido é que a morte da minha personagem é bem dramática e intensa. E é um dos episódios mais intensos dessa nova fase de Doctor Who até mesmo comparando com a fase antiga. O pessoal gostou bastante. Ela é uma vlogueira que gosta de explorar e acaba dando azar.

Você tem algum novo projeto no momento que você pode nos dizer?

Os meus planos para o futuro é continuar fazendo testes, investindo na minha carreira, tanto com cursos quanto com trabalhos. E eu juntei colegas artistas de Londres, e nós estamos com um projeto numa companhia teatral já no primeiro semestre, então nós já temos o texto da peça sendo escrito por um amigo jornalista que ganhou até um prêmio por uma história curta que ele escreveu e a gente está adaptando. E nós temos bastante intenção de começar isso logo, já nesse primeiro semestre, mas óbvio que se não for possível, então ocorrerá mais pela frente. Tem esse projeto paralelo, mais é um projeto secundário. O que eu mais tenho planos é continuar fazendo testes, e continuar trabalhando para a TV. Tentar fazer séries desse tamanho ou até menores, e realmente ganhar o meu espaço no cenário aqui e no cenário do Brasil.

Por falar nisso, você tem planos para voltar a trabalhar no Brasil no futuro?

Eu pretendo sim voltar, não sei se para morar. É muito difícil a gente fazer esses planos. A minha mudança para cá foi tão de um dia para o outro que pode ser que eu acabe voltando para o Brasil também de um dia para o outro. Mas eu pretendo trabalhar no Brasil, isso é uma certeza. E adoraria receber convites, caso eu goste do projeto, eu teria a maior vontade. E tem muitas minisséries, muitas séries feitas no Brasil que me interessam. Eu fiz o Psi com a HBO há três anos trás, e é uma série que super me interessa, é um tema que eu gosto. Sim, eu espero que rolem bastante convites.

Nós também esperaremos com ansiedade pelos próximos projetos de Gabriela Toloi. Até lá, você pode conferir a participação dela em Doctor Who, assim como as 12 temporadas da série, pelo streaming da Globoplay.

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