FOTO: NETFLIX

Por: Bruno Carvalho

Dark encerra sua jornada como um grande triunfo narrativo

[Texto sem spoilers] É muito positivo, como já mencionei aqui no site, termos uma série fora do eixo EUA/Reino Unido como Dark, produção alemã que tomou o mundo graças a seus ricos personagens, intrincada trama e bela execução. Mais do que isso, a série representa um enorme triunfo narrativo por conseguir contar de forma planejada uma história tão ambiciosa e vasta como a das famílias Kahwald, Tiedeman, Nielsen e Doppler na pequena cidade de Winden.

A terceira e última temporada de Dark não vem pra reinventar a roda, mas sim para trazer um satisfatório desfecho para esta bela e complexa jornada. Iniciando logo após os eventos do final do 2º ano, a série utiliza seus 8 capítulos finais para aprofundar ainda mais nos temas que abordou com maior e menor intensidade e centralizar na rivalidade entre “Adam” e “Eve”, um conceito que funciona desde a mais literal e bíblica interpretação, até os pontos mais controversos e paradoxais desta relação que percorreu décadas e múltiplas realidades (ou universos, como queiram).

FOTO: NETFLIX

Este terceiro ano, contudo, é mais apoteótico do que apocalíptico, eu diria, por representar o inevitável rumo de tudo o que a atração meticulosamente criou em sua tão curta existência, com direito ainda a surpresas no caminho até o seu arrojado, mas – ainda bem – coeso final. Ela continua irrepreensível em todos os seus aspectos técnicos, em especial a decupagem (e não consigo imaginar o quão maluca deve ser a sala dos roteiristas desse drama) e a montagem eficiente que extrai o melhor do trabalho de Baran bo Odar e Jantje Friese. 

Mas se há algo que favoreça enormemente a produção é o fato de a série estar no formato de maratona, ao contrário de outras séries construídas de forma densa como LOST, Game of Thrones, Arquivo X etc. Dark foi completamente feita para ser vista e apreciada neste formato justamente pela alta carga de informação que cada um dos seus episódios fornece (basta ver a dificuldade que é recapitular tudo entre os gaps de temporadas). E sim, não há como Dark funcionar sem o artifício do roteiro expositivo, mas essa ferramenta narrativa é utilizada dentro de um contexto que a justifica, já que não raro os próprios personagens precisam ter os eventos explicados (por bem ou por mal).

FOTO: NETFLIX

Sinto, apenas, que esta poderia ser uma jornada um pouco menos maçante do que é e com os realizadores pelo menos tentando imprimir um mais diversidade no elenco – que não há -, afinal estamos em 2020 (ou 2053, ou 1987, enfim). Ainda assim, Dark é um ponto fora da curva na atual safra de séries por conseguir, mesmo que com alguns furos inevitáveis, ser uma série incomparavelmente concisa e “suficiente” em si própria, como raramente tivemos (ou teremos) a possibilidade de testemunhar na TV de novo.

Os comentários estão desativados.

ss